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Tony Federline, desperta da letargia naquele amanhecer, anda pouco
cansado e chega à janela do palacete dos Monteiros, nota as extensões de
árvores em torno de Arraial D’ Ajuda. É um homem aventureiro, sem medo e
audacioso. Tinha fechado dois negócios nos últimos dias, faltam outros
em cidades próximas, Eunápolis e Trancoso. Neste momento, só pensa em se
divertir. Toma um longo banho, seca-se rapidamente na toalha branca,
vestindo uma bermuda azul feita de poliéster e uma camisa de manga curta
escura. Coloca a mochila nas costas, típica de acampamentos e trilhas,
todos estavam dormindo quando se retirou. Se afasta da designação das
povoações, prosseguindo nas entranhas naturais, como se conhecesse
aquele novo horizonte.
Para do lado de um pé de eucalipto, toma um gole de água da garrafa
térmica e come algumas barrinhas de cereais, seguindo a trilha. Os pés
no sapato da Nike começam a cansar, ao perceber o fim da mata, nota algo
curioso e que não contém um aroma nada agradável. O céu cheio de urubus
e a superfície cercada de cadáveres empilhados. Um cemitério de corpos
humanos expostos. As aves se alimentam das carniças. Telefona para o
melhor amigo, que no começo, pensa que é uma brincadeira boba. Tony
permanece abalado.
- Cara, isso é coisa de maluco! Parece que estou vendo o inferno.
- Tony, saia daí agora. Você pode estar correndo risco de vida.
O rapaz regressa literalmente transtornado, com um frio no estomago.
Essa cidade guarda mais mistérios e segredos do que qualquer um possa
imaginar.
A brisa se mistura com a temperatura árida, deixando o tempo agradável.
Aos poucos, o distrito começa a receber excursionistas de todo o globo,
por diversos fatores, as lindas praias, natureza exuberante e a
arquitetura de caráter incomparável, mas o primacial elemento é o
turismo sexual, qual movimenta a economia. O cemitério de corpos
humanos, que Tony tinha descoberto, faz parte de uma entidade secreta
administrada pelo dono do resort.
Levi e Tony estão sentados numa falésia adiante daquela imensidão azul.
O único lugar adequado, onde conseguiram encontrar privacidade.
- Quer dizer que existe uma chefia ainda maior que o próprio governo? E
o magnata? Quem comanda esta facção?
- É o Miguel Xavier...
- O noivo da sua irmã?
- Sim, ao saber a respeito, tratei de pagar as dívidas o mais rápido
possível.
- E ela não tem menor ideia sobre isso?
- Não. Tenho que protegê-la.
Levi pisca as esferas castanhas e admira o pôr do sol refletindo no
oceano atlântico.
- Pamela, deve estar se sentindo alegre de alguma forma, por isso não
desistiu dessa loucura. E aquele cemitério atônito? – Tony pergunta
subitamente em tenor diligente.
- Ali devem ser jogados os corpos de vítimas, devedores e até inimigos.
Quem entra pra este submundo da prostituição liderado pelo Xavier, não
tem escolhas.
O celular vibra no bolso de Levi, que acaba o atendendo, é do ponto
comercial referente à nova galeria localizada na zona sul de São Paulo,
em Santo Amaro. Levi permanece sentado com a cabeça baixa, conversando
sobre os números de vendas. Ao desligar o aparelho, os dois amigos
começam a descer do despenhadeiro com as mãos adentro da blusa,
retornando para a residência.
Levi tranca a porta do escritório para poder conversar melhor com o
amigo, enchendo dois copos de uísque com tônica. Ele coloca a bebida de
dezenove mil reais de volta no barzinho suspenso na parede. O líder da
corporação ilegal, acomoda-se na poltrona afrente da mesa, mexendo
algumas vezes no computador enquanto o amigo continua em pé, ingerindo o
liquido no recipiente de cristal.
- Será que a sua mãe não sabe a respeito dessa informação?
- Não sei, Tony, esse homem deve pagar muitas pessoas para deixar esse
relato secreto. O cemitério que você encontrou é uma das provas neste
quesito, quando se tem dinheiro, podemos comprar tudo o que desejamos,
inclusive a opinião alheia.
- Somos a prova viva disso.
- Com certeza.
Escuta-se dois batuques na porta de madeira, Tony a descerra para a
senhora entrar no cômodo da morada, ele se retira. Amália forma um
pequeno sorriso nos cantos dos lábios ao se aproximar do filho,
acomodando-se adiante dela.
- Esse era o lugar favorito do seu pai.
- Lembro-me perfeitamente, como se fosse ontem.
- Você sempre gostou de ficar ao lado dele.
Um pingo de curiosidade brota na cabeça de Levi na sua cabeça ao
observar as fotos da família apresentada no monitor, mas resolve buscar
a resposta da sua incógnita perguntando a matriarca.
- Não existem fotos da senhora grávida da Pamela?
- Queimaram tudo em um incidente na antiga casa.
- Não me recordo.
- Você era muito pequeno, querido.
- Verdade.
- Estava com saudades da infância?
- E quem não tem, mãe?
- Eu gosto quando me chama de mãe, me sinto especial.
Ele balança o copo, dando uma última golada. A calmaria toma conta do
lugar, sendo dissipada imediatamente.
- Está feliz ao lado da Barbara?
- Nunca me senti tão bem em toda a minha vida.
- E como anda os negócios?
Levi, sempre manteve segredo a sua verdadeira fonte de riqueza. Em um
mundo em crise, poucas pessoas são de confiança, inclusive a própria
sombra. Mas como julgar um grande empresário, que marca presença em
festas beneficentes e ajuda os pobres?
- O dólar no primeiro semestre de 2012, despencou um pouco, nos
prejudicando, mas nada de tão grave.
- Não consigo acompanhar este raciocínio.
- De dinheiro nenhum a senhora consegue.
- Verdade. Isso sempre foi especialidade do Antônio, que passou para
você.
- O Miguel Xavier? Ele é de confiança?
- Claro.
- Tem certeza?
- Sim, os pais deles eram donos de uma grande rede de hotelarias, filho.
- Os pais deles estão mortos, estou perguntando dele.
- Ninguém nunca disse nada a respeito, os funcionários são um poço de
elogios, falam que ele é muito educado e que paga direitinho. A Pamela
ama o Jonathan, mas colocou na cabeça que deseja o melhor para o futuro,
do que um pobretão. |
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