Recomeçar com Amor!
de Krishna Hoo
E de repente aconteceu o
que ninguém esperava. É anunciada a volta gradativa às atividades pela
televisão. Justamente quando a curva da pandemia crescia vertiginosamente. O
mundo lá fora estava um caos! Milhares de pessoas morrendo pela doença, muita
tristeza e dor em meio à ruína política, institucional e social do país.
Era uma manhã de junho de
2020 e os pássaros cantavam. Anne preparava o café da manhã quando viu a
notícia pela televisão. A primeira atividade a voltar seria o comércio, mas é
claro que ela não ia sair. Quem iria garantir que não pegaria o Corona? Além do
mais, não tinha nada para comprar na rua, ia ficar em casa mesmo.
Não se considerava jovem,
porque já tinha trinta e oito anos e muito bem vividos. Mas ruiva, cabelos
longos, olhos azuis e a pureza de uma criança, transluzia vivacidade.
Na
sala apenas uma grande televisão na parede, um móvel onde ficava um toca discos
e vários lps, um enorme futon japonês, que mais parecia um tatame com várias
almofadas, e muitas plantas. O apartamento era bem grande, arejado e ficava nos
últimos andares de um prédio bem alto, no centro da cidade de São Paulo. Dava
pra ver uma imagem fabulosa da cidade, o que era bastante inspirador. Anne
morava sozinha e ficava horas assim… Escrevendo com o notebook em cima das
almofadas o dia todo, dia após dia.
Mais
um dia amanhecia em sua janela. A persiana impedia parcialmente a entrada da
luz, mas clareava o ambiente o suficiente para que Anne percebesse que era hora
de levantar. O mesmo ritual de sempre, fazer o café preto e tomá-lo assistindo
ao jornal matinal. Para saber tudo, tudo que estava se passando. Também olhava
suas redes sociais no celular, que muitas vezes mostravam mais notícias que o
jornal.
Anne ouvia as notícias na
televisão estarrecida. Se vocês acham que a população agiu corretamente em
relação à equivocada abertura do comércio, ledo engano. O jornal dizia que
centenas de pessoas formaram grandes filas nas portas dos shoppings. Pensou:
''Mas pra comprar o que, meu Deus?'' Na verdade, as pessoas estavam
desorientadas com a desinformação que se via por toda parte. E também com a
falta de bom senso habitual. As pessoas subestimavam o poder de contágio e
letalidade da doença. Não vou sair, pensou ela. O correto era ficar em casa até
o número de casos da doença e o número de mortes baixarem. E foi assim que ela
fez.
Anne estava com fome e
uma vez que já era seguro, desceu ao restaurante que ficava próximo de sua casa
para comprar o almoço. Claro que tomando todas as medidas de segurança
necessárias. Passou álcool gel nas mãos e colocou a máscara. Um moço chinês
muito gentil, também de máscara, a recepcionou e a serviu. Era Rafael, que
tinha acabado de abrir o restaurante quando veio a pandemia. Estava funcionando
por meio de entregas e retiradas no local. Isso fez com que seu movimento
caísse bastante.
- Boa tarde! - disse ele.
- Boa tarde!
- O que vai querer?
- O marmitex é quinze reais?
- Sim, e você pode escolher o que
quiser.
- Então vou querer arroz integral,
feijão, coloca um pouco desse picadinho com vinho e de salada quero um pouco de
tudo.
- Aqui está.
- Você mora aqui perto? Com a família?
Namorado? Estamos trabalhando com sistema de entregas.
- Sim, mas eu prefiro descer para sair
de casa um pouco. Moro sozinha e não tenho namorado.
- Ok. Leve este panfleto. Se quiser
pedir, escolha tudo e mande mensagem, que levamos pra você.
- Obrigada. Vou pedir sim.
Embora quisesse ficar
mais um pouco na rua, tomar sol e respirar um pouco de ar, voltou rapidamente
para seu apartamento. Não podia abusar da sorte e ficar perambulando na rua.
Pela primeira vez em muito tempo comeu tudo o que gostava e na proporção que
desejava.
Anne só se sentiu segura
para sair após sucessivos dias de queda nos números de casos e de mortes. Já
era agosto quando ela declarou oficialmente para si mesma que poderia começar
sua flexibilização pessoal à quarentena, enquanto o mundo todo já estava nas
ruas há muito tempo.
Pensou em visitar seus
amigos, um por vez, indo em suas casas. Lembrou-se de Lucas, seu melhor amigo,
era óbvio que seria a primeira pessoa. Ela o conhecia desde o ensino médio e
depois de terem se formado, ele a ajudou quando ela estava precisando de um
lugar para morar. Dividiu seu apartamento com ela por uns dez anos. Só quando
se casou que ela foi morar sozinha, mas se falavam quase todos os dias.
Fez uma chamada de vídeo,
que tinha virado moda na quarentena:
- Oi Lucas! Tudo bem?
- Tudo irmãzinha. Como está aí?
- Bem também.
- Pensei em te fazer uma visita, já
estão relaxando a quarentena mesmo, e eu estou morrendo de saudades.
- Claro, estava pensando a mesma coisa.
Que horas você vem?
- Umas oito horas, vou levar um vinho.
- Tá certo. Estamos te esperando.
Lucas tinha uma voz
peculiarmente grossa. Seu timbre era muito reconfortante que remetia à proteção
paternal. Parecia um viking quando falava, pois, era forte, tinha os cabelos
loiros compridos e olhos verdes. Anne sentia-se muito feliz por seu amigo ter
encontrado uma garota legal para se casar. Suzanna era morena e muitíssimo
elegante. A acompanhava em todas as conversas sempre muito interessada e já era
muito sua amiga também.
Aquele
momento era emocionante! Pela primeira vez em muito tempo, ia sair de casa para
visitar os amigos. Não se contentava de alegria em saber que ia vestir uma
roupa para sair. Colocou sua máscara e desceu pelo elevador. Passou no mercado,
comprou um vinho e chamou um carro pelo aplicativo, não iria pegar transporte
público. Desembarcou na frente do prédio, anunciou sua chegada pelo porteiro e
subiu de elevador. Bateu na porta:
- Anne!
- Lucas, que saudade - Mas não abraçou
o amigo, ficou longe. Se curvou como os japoneses fazem para se cumprimentar.
- Entre… - ele disse rindo.
- Suzanna - novamente o cumprimento
japonês.
- Quanto tempo, amiga! - disse ela
rindo - Já estava aqui preparando nosso jantar.
- Hummm… Está um cheiro delicioso. Deixa
eu adivinhar… Boeuf bourguignon?
- Acertou - risos - Com gratin de
batatas.
- Que delícia! Acho que vou chorar
nesse jantar.
- Dá aqui a sua máscara - disse Lucas -
Vou esterilizá-la e colocá-la no gancho atrás da porta, quando você for embora
você pega.
Conversaram sobre a
pandemia, sobre a execrável situação política e social do país, sobre planos e
ideias para viver esse novo normal a que foram submetidos. Sentados à mesa
redonda da sala, esqueceram-se das horas que passavam.
- Já são quase meia noite - disse Anne
- Preciso ir embora.
- Está bem - disse Lucas.
Ela chamou o carro pelo
aplicativo, pôs a máscara, jogou um beijo com a mão no ar e foi embora. Ao chegar em casa, tirou cuidadosamente a
máscara, borrifou álcool nela. Lavou bastante as mãos e trocou de roupa, tudo
para evitar contaminações.
Quinta-feira
e nada de frio. Segundo a previsão o tempo só ia mudar no fim de semana. Foi
quando recebeu uma chamada de vídeo do Lucas:
- Oi - ela disse.
- Tudo bem, irmãzinha?
- Tudo, e você?
- Tudo bem, escuta, ficamos pensando
muito sobre a nossa conversa de ontem à noite.
- Eu também.
- Então… Você sabe que eu sou
programador, não sabe? Pensei em desenvolver um aplicativo que permitisse fazer
aquilo que a gente conversou, que pessoas que moram próximas pudessem expor o
seu produto, vender ali, e ganhar créditos para comprar outros produtos de
outras pessoas, tudo dentro do app.
- Puxa, que máximo, Lucas! Como eu te
falei, dessa forma a gente não ficaria à mercê das grandes empresas e tudo
seria negociado com pequenos produtores, comerciantes e profissionais
liberais. Estaríamos livres do sistema
capitalista, que sonho!
- Sim. Seria uma revolução solidária,
pois os benefícios são incalculáveis. Imagine que a Suzana pudesse vender os
seus pratos por ali, fazer as entregas e ficar com crédito para gastar com o
cabeleireiro, por exemplo. Não precisaria nem ir a um salão, seria atendida a
domicílio evitando aglomerações.
- Claro. Tivemos um ótimo exemplo
através da pandemia de que com as entregas compramos produtos de qualquer
lugar, sem precisar procurar por grandes lojas ou marcas. As compras pela
internet e por aplicativos tiveram um aumento considerável.
- Assim que eu desenvolver, você
divulgaria pra mim no seu portal? Queria que você fizesse toda a parte de
marketing, com o conceito de fraternidade que a gente tem, sendo voltado sempre
para os pequenos grupos, pequenas comunidades.
- Claro, posso começar?
- Lógico! Fico muito feliz com essa
parceria, irmãzinha.
- Eu também.
Fazia muito frio naquela
manhã, Anne viu no celular que estava treze graus lá fora e ventava muito.
Quase não percebeu que era hora de acordar, pois o dia estava escuro. Hoje
receberia o Lucas e a Suzana em sua casa para um almoço, iriam falar sobre a
sua nova empreitada. Como não era muito boa na cozinha, ia pedir tudo pelo
aplicativo. Não o que eles estavam lançando, mas um tradicional aplicativo de
comida. Ao meio dia em ponto o interfone tocou, eram eles.
- Olha só, como vocês são pontuais!
- Parece que você não me conhece -
disse Lucas.
- Tudo bem - disse Suzana.
- Sim, amo tanto o frio, estou feliz -
disse Anne - Entrem, me dê a máscara de vocês para eu esterilizar.
- Trouxemos um vinho.
- Me dê aqui também, vou higienizar e
colocar na adega.
Sentaram-se todos no
futon e Anne pediu comida japonesa. Enquanto a comida não chegava, olhavam pelo
notebook o desempenho do aplicativo.
- Já tivemos mais de trezentos
downloads, olha que bacana.
- Você é incrível Anne. Sabia que podia
contar com você.
- Em breve vamos poder pedir comida
pelo nosso próprio aplicativo - Disse Suzana.
- Pois é! - disse Anne - Não vejo a
hora.
Brindaram
cada um com sua taça e comeram no futon mesmo, bem ao estilo japonês. Depois,
abriram outro vinho que Anne tinha na adega e ficaram a tarde toda ouvindo
discos e contemplando a vista da cidade que já começava a acender suas luzes.
Anne se acostumou a
descer no restaurante do chinês para comprar o almoço. Embora pudesse pedir e
receber a entrega em casa, ela preferia ir para sair de casa um pouco.
- Boa tarde! - disse ele.
- Boa tarde!
- O que vai querer, o mesmo de sempre?
- Sim, com o picadinho de vinho.
- Puxa, Anne. Não temos mais o
picadinho de vinho, só o picadinho comum, me desculpe. Tivemos que cortar
alguns gastos com certos ingredientes por causa da pandemia, mas garanto que
você vai achar bem saboroso.
- Tudo bem, sem problemas.
- Aqui está.
- Mas você está bem, Rafael?
- Na medida do possível. Você sabe que
sou só eu e meu irmão no restaurante, como te disse outra vez, e não estamos
conseguindo fazer com que os clientes que vinham presencialmente peçam para
entrega.
- Você me disse que fazia entregas.
Estou trabalhando em um aplicativo muito interessante. Talvez seja do seu
interesse.
- Sério? Como funciona?
- Você pode vender suas marmitex por
lá, só que não recebe dinheiro como pagamento, mas sim créditos para gastar em
outros produtos.
- Puxa, interessante! Mas será que vou
encontrar fornecedores dos produtos que preciso lá?
- Sim, Rafael, tem de tudo. Lembrei em
te falar porque vi diversos revendedores de vinho lá. Como valorizamos os
pequenos comerciantes, os preços são sempre bem modestos. Não temos marcas
metidas a besta, então as marcas competem para vender mais barato e oferecer o
melhor serviço.
- Gostei, posso tentar. Como eu baixo
esse aplicativo?
- Te passo depois o link por mensagem,
ok?
- Certo. Muito obrigado.
Embora estivessem ambos
de máscara, Anne já havia reparado em Rafael com um olhar muito além de uma
simples cliente. E Rafael era sempre muito gentil quando atendia ela. Mas essa
história de pandemia era como um balde de água fria em qualquer clima romântico.
Era uma tarde qualquer
quando Lucas recebeu o telefonema. Uma grande empresa de tecnologia havia se
interessado pelo aplicativo.
- Falo com o desenvolvedor Lucas?
- Sim, sou eu.
- Me chamo André e sou gerente de
negócios da empresa X Soluções Digitais, e venho lhe fazer uma proposta de
compra para o seu aplicativo. Analisamos que ele teve um aumento de downloads
de mais de seiscentos por cento em uma semana e isso nos diz que ele é um
produto de grande potencial.
- Me desculpe, mas meu programa não
está à venda.
- Estamos falando de quinhentos mil.
Lucas, acreditamos realmente no potencial de sua ideia e você ainda receberia
parte dos lucros da empresa.
- Não, definitivamente. Criei o
aplicativo com uma ideologia solidária e não vou vendê-lo.
O porta voz da empresa
quase que não acreditava no que estava ouvindo. Em todos os anos em que
trabalhou em relações comerciais de empresas, era a primeira vez que ouvia uma
recusa neste tipo de proposta. Ficou sem argumentos. Disse que iria entregar a
proposta por e-mail e que aguardava o contato de Lucas, caso ele mudasse de
ideia.
Ao desligar, Lucas não
pode se abster de sua estupefação, pois não havia acompanhado o explosivo
crescimento do seu negócio, a última vez que tinha visto estava em pouco mais
de trezentos downloads.
- Suzanna - gritou - Você não sabe o
que acabou de acontecer, uma coisa maravilhosa!
- O que foi?
- O aplicativo já está com mais de dois
mil downloads. Só vi porque uma empresa me ligou querendo comprá-lo.
- Não acredito. Meu Deus! A Anne já
sabe?
- Vou ligar para ela agora.
Lucas
faz uma chamada de vídeo:
- Anne?
- Oi, querido
- Você viu?
- O que?
- Nosso aplicativo teve uma explosão de
downloads, uma empresa me ligou querendo comprá-lo.
- Nossa! Não acredito. Mas você não vai
vender, vai?
- Parece que você não me conhece.
- Puxa! Fico muito contente. Espere um
pouco… Acabei de ver aqui, você vai gostar. O aplicativo já está tendo um uso
considerável por parte dos usuários e já está começando a monetizar. Muitos
anúncios já estão sendo veiculados nele, e já temos valores expressivos na
conta.
- Puxa, que legal, estou emocionado.
- Eu também. A partir de agora não vou
mais desgrudar os olhos da conta e ficar acompanhando a performance do nosso
aplicativo, ok?
- Muito obrigado, viu. Estou muito
feliz em estar nesse projeto com você. É a realização de um sonho estar dando
certo.
- Imagine! Quem sabe, se continuar
assim, posso até pedir as contas do trabalho? Aliás, com essa velocidade toda,
é necessário que registremos o aplicativo e entremos com os processos
burocráticos para criação da empresa.
- Claro, você sabe que está comigo
nessa história. Só que detesto burocracias.
- Fique tranquilo que vou te ajudar a
cuidar de tudo.
Passados alguns dias,
Anne e Lucas foram realizar todos os processos burocráticos para a criação da
empresa. Deram o nome de Fraterno, que remetia à fraternidade. O telefone de
Lucas não parava de tocar e ele perdeu a conta de quantas propostas de venda do
aplicativo teve que recusar. O aplicativo pegou mesmo. As pessoas baixavam,
anunciavam, e conseguiam facilmente vender os seus produtos. Depois compravam
outros produtos que queriam do próprio aplicativo, nem precisavam mais sair de
casa.
Não pensava mais no mundo
como um lugar ruim, pois percebeu que alguma coisa havia mudado com essa
pandemia. As pessoas estavam mais solidárias e ajudando umas às outras. Nada de
muito grandioso, mas principalmente as pessoas que sempre foram rechaçadas pela
sociedade como desqualificadas, eram as que mais estavam ajudando as outras que
lhes eram semelhantes. Os pequenos ajudando os pequenos.
Simplesmente ninguém saía
perdendo e esse comportamento foi aos poucos tomando conta de todo mundo. Os
usuários apoiavam muito o aplicativo,
faziam propaganda de boca a boca e ensinavam uns aos outros a usar.
Esses dias Anne até teve uma grande surpresa com a ligação de Rafael que
agradecia, quase que chorando, pelo fato dela ter-lhe apresentado o aplicativo.
Ele dizia que não só havia encontrado todos os seus fornecedores, mas também
teve um grande aumento no número de pedidos. Que não tinha como a agradecer.
Com o crescimento
inesperado da empresa, os novos sócios tiveram que contratar funcionários para
dar conta da comunicação com os usuários, criando uma central de atendimento
remota, com os funcionários trabalhando de suas casas. Embora também tiveram
que alugar uma sala comercial em um prédio, pois o aplicativo precisava de
servidores para funcionar.
Já tinham investidores e
diversas parcerias comerciais, mas em nenhum momento sequer pensaram em vender
o seu negócio que era a esperança de uma nova forma de sobrevivência, de ajudar
os outros e de receber ajuda também.
Era uma linda manhã de
primavera quando saiu a notícia: ''Cientistas encontram vacina definitiva para
o Covid-19, que será disponibilizada ainda este mês''. Os pássaros cantavam e
dava para sentir a umidade no ar. Anne preparava o café da manhã e ficou
completamente entusiasmada, pois sabia que agora era verdade, e não somente um
teste de vacina feito por um país isolado. Todos os países estavam usando a
mesma vacina.
Acompanhou nas redes
sociais a efusividade da notícia como que em uma festa de ano novo. É isso!
Festa! - pensou. Ficou minutos olhando para a janela e imaginando todo o agito
que estava prestes a explodir na cidade. Não que já não o houvesse, pois como dissemos
anteriormente o povo não conseguiu se segurar em casa direito. Mas para ela e
para a outra metade da população que se manteve em casa, esse era o momento
mais que esperado, de poder sair sem preocupação nenhuma de se contaminar.
Embora nada fosse mais como antes. Sempre teríamos na cabeça um certo
distanciamento das pessoas, nada de muita proximidade, de compartilhar
bebidas... Fez uma chamada de vídeo para o Lucas:
- Oi, irmãozinho.
- Anne!
- Você viu que descobriram a vacina?
- Sim, nem acredito.
- Você está pensando no mesmo que eu
estou pensando?
- Uma festa?
- Sim - risos - Vamos convidar todos na
empresa, nossos parceiros, a imprensa, todo mundo. Vai ser a primeira festa
desde muito tempo. A nossa inauguração. Vai ser o máximo.
- Seria muito legal, mesmo. Tô dentro.
Vamos organizar tudo direitinho Suzanna pode ajudar com o cardápio e com a
preparação do ambiente.
- Ótimo, sabia que podia contar com
você.
Era uma noite fria e
úmida de outubro e as luzes brilhavam em meio às árvores. Era uma delícia
respirar aquele ar gelado ao sair do carro e subir para a casa que seria palco
da inauguração do Fraterno. Os amigos vinham alegres em meio aos cumprimentos
de outros convidados que também estacionavam os carros. Tudo estava
impecavelmente montado para a festa; comidas, bebidas, som, iluminação… Lucas
fez um caloroso discurso que comoveu a todos com seus ideais de uma nova
economia fraterna e Anne, muito animada, disse apenas algumas palavras, não
menos comoventes, e convidou todos a dançar e se divertir muito na festa.
Ao
subir no alto de uma escada, Anne conseguia ver de forma panorâmica todas as
cores e brilhos de sua tão esperada festa, quando viu entrar na casa um belo
rapaz com um elegantíssimo terno preto. Era Rafael, que simplesmente subiu as
escadas direto em sua direção.
- Posso me aproximar agora, não?
- Sim - respondeu ela.
- É a primeira vez que te vejo sem
máscara e sem o balcão para separar a gente. Você está ainda mais bonita!
- Obrigada! É verdade, não tem mais o
balcão. - risos - E eu posso te dar um beijo?
- Claro!
Foi com as bochechas
vermelhas de rubor que Rafael descobriu que o beijo não era no rosto.
Aproveitou e beijou Anne intensamente. Um beijo que durou por volta de meia
hora. E que só foi interrompido porque Anne o puxou para dançar...
CAL - Comissão de Autores Literários
Bruno Olsen
Cristina Ravela
Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
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