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Ciranda: Aventura Interdimensional - Capítulo 19

Novela de M. P. Cândido
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No capítulo anterior, Carlito sofre cruéis torturas como prisioneiro da Cuca, enquanto isso Imã e Drica ajudam Táquio no deslocamento dos habitantes do mundo devastado para impedir novo ataque e Belchior se esconde o quanto pode da maga.



CAPÍTULO 19 - ELE É FORTE E CORAJOSO

No início da caravana, os batedores estão parados um bom tempo, Gualbe espera por um sinal antes de tomar qualquer atitude. Até que um deles sai da camuflagem e resolve se aproximar das criaturas desacordadas, logo em seguida o segundo também se aproxima.

— Conhece, Zebu?

— Não, mas parecem muito com o Conde E e a Princesa Macar.

— Parecem, e agora, o que a gente faz?

Gualbe também chega no grupo.

— Então, qual é a razão da parada… eita! Quem são esses aí?

— Eu e o Melo não fazemos ideia.

— Tudo bem, Zebu, vá avisar o Conde E, enquanto isso eu e Melo vamos acomodar eles nas carroças.

Enquanto isso, na clareira em que Táquio e Cuca estão travando uma batalha oral, a situação ganhou conotações quase bíblicas. A maga, propôs uma permuta para Táquio e apresentou seu prisioneiro, bastante depauperado e pendurado com os braços suspensos por cordas entre dois tukurás alados. A imagem é realmente desoladora e cruel. Táquio jamais havia presenciado tanta violência nesse mundo.

Aliás, um mundo já bastante desfigurado, devido às transformações que os encantos da Cuca provocavam. Cada emanação sobrenatural deflagrava consequências funestas no meio ambiente. Era como uma indústria que produzia seus produtos ao mesmo tempo que mortifica o meio em que está.

Os tukurás chegam próximo de Táquio para que ele veja com mais clareza de quem se trata. A pessoa pendurada estava desacordada, mas seu semblante denota grandes sofrimentos. Apesar de tudo, é perfeitamente nítido que se trata de um jovem rapaz, as marcas que tem no rosto demonstra que ele sofreu bastante até o ponto de perder os sentidos.

Táquio fraqueja por um instante, ainda assim tenta disfarçar o medo que está sentindo.

— Ele não é de sua raça? — Cuca esbraveja.

— Sim, é… mas… — Táquio ainda se encontra perplexo.

— Então, temos um acordo, ou não?

Súbito, Imã sai de seu esconderijo, gritando furiosa.

— Sua maga maldita. Solta ele, agora, solta!

Drica tenta conter a amiga, até Táquio se põe na frente da neta, a segura pelos braços e a encara seriamente. Imã, está transtornada, mas concorda em se conter.

— Olha, não é aquela coisinha esquisita que vocês chamam de Princesa?

— Não importa, Cuca, a sua guerra é comigo! — Táquio tenta retomar a atenção da maga.

— Nós estamos em guerra, Conde E?

— Sim, você sabe que somos inimigos.

— Você me dará o que peço?

— Nos dê um tempo, não sabemos onde o seu rouxinol está. Mas, antes quero fazer uma exigência?

— O que você quer?

— Que você não faça mais mal a esse rapaz. Eu vou localizar e trazer o seu rouxinol, mas se eu perceber que você continuou as torturas, você nunca mais verá seu rouxinol.

— Quando terei meu rouxinol novamente?

— Amanhã, nessa mesma hora, nesse mesmo lugar.

Cuca não responde, apenas sorri, volta as costas para Táquio e recua, assim como todos os tukurás.

Até o cheiro ameaçador se desfaz. Imã desaba no chão chorando copiosamente, Drica a abraça com carinho. Táquio se entristece ao deparar com a dor da neta.

— É tudo culpa minha, Drica. Fui eu quem trouxe o Carlito para cá. Você me alertou, mas eu não dei ouvidos…

— Calma, Imã. Não fica assim, os meninos resolveram por si mesmos. Não tem nada que você pudesse fazer. Quem ia adivinhar que tudo isso ia acontecer? É impossível.

— Mas, você me alertou, falou que podia ser perigoso. Agora, olha como está o Carlito.

Táquio se abaixa para ajudar a neta a levantar.

— Espoletinha, escuta o que vou te falar, não importa nada que aconteça ao seu amigo, todo machucado, toda ferida, fica aqui. O corpo dele está são e salvo, quando vocês retornarem, nada disso refletirá no outro mundo. No máximo, ficará algum restinho na memória, mas não haverá nenhuma marca de nada, apenas lembranças.

— Vô, o Carlito é um grande amigo, ele é forte e corajoso. Já enfrentou o perigo para me ajudar. Ele já…

— Calma, Imã. Você está perdendo o controle. — Drica se preocupa.

Táquio abraça a neta com força, Imã chora em seu peito, a lembrança do amigo e o estado em que ele se encontra, não saem da sua mente.

Táquio pede que um roedor se aproxime e cochicha em seu ouvido. A ordem é simples, o comandado não perde tempo e se adianta. Táquio chama Drica e pede que leve Imã para um lugar seguro.

As lágrimas que encharcam o chão deixam o coração de Táquio mais amargurado. Apesar do longo tempo ausente do mundo real, ele ainda nutria esperanças de voltar tornar ao convívio com a família e sua neta. De alguma forma calculava que as medidas de tempo não seguiam na mesma proporção, por isso não se preocupou com o passar dos anos. Mas, ao ter conhecimento de que em nosso mundo já se foram seis anos, compreendeu toda dificuldade que a neta teve.

Quando se separaram, Imã tinha só oito anos, agora tem catorze, não deve ter sido fácil para a família. Enquanto ele lutava contra a Cuca para salvar os nativos, perdeu totalmente a noção do tempo, julgando que haviam passado apenas alguns minutos.

O descontrole emocional da Imã é perfeitamente justificável e Táquio se sente responsável, não pode permitir mais sofrimento, sobretudo de sua neta e amigos, decidiu tomar uma atitude radical.

Mas, antes que pudesse se levantar, o mensageiro de Gualbe é anunciado.

O pequeno guaxinim Zebu, ainda esbaforido, se esforça para falar com clareza.

— Conde, o Gualbe pediu para avisar que encontramos dois iguais ao senhor lá na ponta da caravana.

— Dois? Eles não se apresentaram?

— Não senhor, eles foram encontrados desacordados. São do tamanho da Princesa Macar.

Táquio para alguns segundos para entender a situação. Logo em seguida um curió também entra no cômodo, porém, não vem sozinho.

— Olá, senhor Belchior, até que enfim resolveu dar as caras.

— Olá, Conde E, eu peço mil perdões, mas ainda estava me restabelecendo do ataque que sofri.

Táquio olha para o curió.

— Ele estava encolhido entre alguns filhotes, só consegui acha-lo porque os próprios filhotes reclamaram da falta de espaço.

Belchior abaixa a cabeça envergonhado.

— Tudo bem, agora temos problemas mais urgentes para tratar. Senhor Belchior, precisamos conversar, porque a Cuca sabe que o senhor está conosco e o quer de volta…

— O quê? Não, nem pensar, isso é impossível. O senhor mesmo, já me mandou para longe, exatamente para evitar isso, lembra? — Belchior está à beira de um ataque de nervos.

— Sim, lembro, no entanto estamos todos aqui e precisamos de um plano, pois ela mantém refém um amigo da Princesa Macar e ela quer libertá-lo.

— Com todo respeito, Conde E, mas eu realmente não quero participar de nada que me exponha à Cuca. Por favor, me envie de volta para o seu mundo, não quero ficar aqui. Não quero correr riscos. Por favor.

A súplica é quase irracional e Táquio sabe que tem que agir com serenidade, pois o que menos precisa agora é de um rouxinol encantado perdido, num mundo devastado. Belchior, instintivamente, se transforma em um rapaz, Táquio o abraça carinhosamente como se o estivesse protegendo, faz gestos para o curió e o Zebu saírem do cômodo.

O tempo passa e a escuridão recai sobre o mundo. Táquio reencontra Imã e Drica, acompanhado de Belchior.

— Vô, o que vamos fazer? — Imã já se recompôs.

— Está tudo bem, Espoletinha, eu vou dar um jeito, mas agora eu tenho uma notícia para dar a vocês. Lá na frente, fui avisado de que os batedores encontraram duas pessoas.

— Será que são a Tiana e o Rui? — Drica se entusiasma.

— Não faço ideia, ainda estão desacordados. Eu quero que vocês vão até lá, para certificar quem é e trazê-los aqui. Seja quem for.

— Pode deixar, vô. a gente não demora. Vamos num pé e voltamos noutro. Vem, Drica e senhor Belchior! — Imã se levanta.

— Não, o senhor Belchior fica aqui comigo.

— O que? Não, senhor Conde E, eu acho melhor ir com a Princesa Macar e… — Belchior se mostra contrariado.

— Não, senhor Belchior, o senhor tem outra missão, venha.

Apesar dos protestos, não resta alternativa a Belchior, se não seguir as ordens de Táquio. Drica também não quer perder tempo e puxa Imã para acompanharem Zebu. Os passos são apressados, em pouco tempo chegam ao acampamento da vanguarda, mas logo ficam assustados com um grito de medo.

— Saiam, daqui, saiam, me deixem, vocês não vão me devorar. Bando de animais selvagens. Como é possível.

Os protestos soam de dentro da cabana, onde saem várias criaturas, minidipis, pavoros, cães, gatos, galinhas e tantas outras. Zebu faz sinal para que as meninas esperam até que ele verifique do que se trata. Mas, assim que o minidipi entra, por pouco não é atingido por uma vassoura, arremessada com bastante força, mas nenhuma precisão. Logo atrás um jovem irrompe para fora.

— Rui? — as meninas gritam em uníssono.

O rapaz olha para elas incrédulo.

— Graças a Deus, gente normal. Tomem cuidado, esses animais queriam me matar para comer. Eles são antropófagos. Venham, vamos sair daqui! — o rapaz continua descontrolado.

— Peraí, você não é o Rui. Parece com ele, mas não é ele. Não se preocupe com os bichinhos, eles são nossos amigos. — Imã rapidamente solta o braço.

A atitude ríspida da menina, surpreende o rapaz, ele não entende a relutância dela em acompanhá-lo.

— Rui? Não, não sou o Rui, sou o Renê, irmão mais velho dele. Seis minutos mais velho, para ser preciso!

— Caramba, Imã, tem dois deles no mundo? — Drica graceja.

— Você é a Imã? — Renê tenta raciocinar.

— Como você veio parar aqui?

— Não faço ideia. A última coisa que eu lembro é de receber a visita de uma senhora, dizendo que era amiga do meu irmão e sua tia… algo assim.

— Será que foi a Tiana?

— Isso, senhora Tiana, isso mesmo. Uma senhora admiravelmente simpática.

— Tá e depois? — Drica fica curiosa.

— Bom, ela deixou um objeto na mão do meu irmão. Depois que ela saiu eu dei uma olhada no objeto, de repente tudo ficou escuro e só lembro de acordar nesse lugar, rodeado por esses animais. Por pouco eu…

— Espera aí, você disse que recebeu a visita da Tiana? Por que ela foi te visitar? — Imã percebeu algo estranho.

— Não, ela foi visitar o Rui. O meu irmão está acamado, depois do acidente que sofreu.

— Que acidente? — dessa vez é Drica quem fica preocupada.

— Quem é você?

— Eu sou a Drica, a gente se falou ao telefone.

— Ah, sim, Drica, eu quero te pedir desculpas pelo jeito que te tratei, mas…

— Agora não Renê, conta o que aconteceu ao Rui. — Imã se agita.

— O Rui foi assaltado, quando estava saindo da sua casa para vir à nossa. Dois desgraçados o empurraram na rua, ele caiu e um ônibus quase o atropelou. Por sorte o motorista conseguiu frear a tempo para evitar o pior. Mas, o meu irmão é forte, eu tenho certeza de que vai superar mais esse problema.

Imã coloca a mão sobre a boca. Drica começa a chorar.

— Por que você não estava com seu irmão? — Imã insiste em saber os detalhes.

Drica interrompe entre soluços.

— Não, Imã, depois que você e o senhor Belchior viajaram, o Rui tentou segui-los e eu não deixei. Liguei para a casa dele pedindo que o fossem buscar, mas ele se aborreceu e resolveu ir sozinho. Tudo culpa minha, eu não devia ter feito aquilo.

— Não se culpe, Drica, o Rui é assim mesmo, toma as piores decisões, ainda mais quando é contrariado. Sempre foi mais emotivo do que eu. Aliás, vocês parecem que estão acostumadas a esse lugar, o que é aqui? Quem são essas criaturas? Como vim parar nesse lugar?

— Não fale assim do seu irmão, ele já nos salvou de vários perigos. Nós estamos em um mundo interdimensional, viemos aqui para resgatar meu avô. Cadê o Rui, veio contigo?

— Você não entendeu o que eu disse? Ele está internado, não pode levantar da cama, porque tá sedado.

Imã não ouve a advertência do rapaz e se dirige para a cabana. Renê fica parado tentando entender as ações, ao mesmo tempo em que se preocupa com as criaturas que estão ao redor do trio, esperando algum desfecho. Drica pede que Gualbe se aproxime.

— Renê, esse é o senhor Gualbe, nesse momento é o responsável pelo deslocamento da população. Foi ele quem o encontrou e o trouxe para a cabana para tratar de vocês. Gualbe, esse é o Renê, irmão do Sir Gallagher

Gualbe estende a mão para cumprimentar o rapaz. Ainda perplexo ele hesita por alguns instantes.

— Por favor, senhor Renê, queira aceitar minhas sinceras desculpas se fomos descuidados convosco.

— O que? E-ele fala?

— Renê! — Drica gesticula para que Renê responda ao cumprimento.

O rapaz, ainda tremendo nervosamente, aperta a mão do símio com delicadeza. Logo as outras criaturas se aproximam para cumprimentar também.

— Não, não, não, peraí! Eu tenho alergia a bichos. Por favor, se afastem… eu…

— Você sempre foi o fresquinho da família, não é irmão? — Rui aparece na porta da cabana ao lado de Imã.


Novela de
M. P . Cândido

Elenco
Imã vô Táquio Rei Gjorgy maga Cuca Tiana Rui Carlito Drica Tudão Cerol Renê Zara Ema Utah Sári Vento Participações Especiais Gualbe Beron Zebu Melo vó Nácia Tema Boom Boom Pow Intérprete The Black Eyed Peas
Direção
Carlos Mota

Produção
Bruno Olsen


Esta é uma obra de ficção virtual sem fins lucrativos. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.


REALIZAÇÃO



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